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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Novas denúncias podem antecipar demissão de Carlos Lupi

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, voltou à linha de tiro e já se fala nos bastidores do Palácio do Planalto na antecipação da saída dele da Pasta. Segundo reportagem da revista Veja na edição desta semana, ele fez uma viagem oficial em jatinho alugado pelo dono de uma ONG que tem contratos suspeitos com sua pasta, e ainda mentiu à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, quando negou conhecer Adair Meira - o proprietário da ONG com o qual viajara - pode antecipar a demissão prevista para a reforma ministerial de janeiro.

“A operação-abafa do governo, que tentou blindar o ministro em seu depoimento aos deputados, na quinta-feira, não deu certo porque ele não saiu do foco”, disse o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), ao anunciar plantão da oposição a partir do feriado de amanhã, em Brasília, para pedir a saída de Lupi. “Ninguém pode se manter no ministério à custa de uma declaração de amor à presidente Dilma, porque o governo é dela e ela será cobrada”, emenda ACM.

Na Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, o deputado Mendonça Filho (DEM-PE) perguntou a Lupi se ele havia recebido algum alerta da Casa Civil sobre problemas com a prestação de contas de ONGs. Ele também quis saber se o ministro havia usado um jatinho pertencente a um dos dirigentes da Fundação Pró-Cerrado, Adair Meira - o que o parlamentar considerou um fato grave.

Lupi informou aos deputados que desconhece o dirigente da entidade e que nunca usou o jatinho dele. “Não tenho relação pessoal com o seu Adair. Não sei onde ele mora e nunca andei em avião dele. Já andei em aviões que o PDT alugou para eventos da legenda. Todos são contabilizados e prestados conta”.


Apurar tudo

Giovanni Queiroz, líder do PDT na Câmara, disse: “Nada vai deixar de ser apurado. Que se apure todas as denúncias, infundadas ou não. Não pode ficar nada às escuras”. Queiroz disse que conversou no sábado com Lupi por telefone, que confirmou ter viajado em jatinho no interior do Maranhão em 2009, mas o líder disse que o ministro não deu informações se conhecia Adair Meira ou não.

O Planalto, por sua vez, tentou, mais uma vez, passar tranquilidade depois de uma semana tentando abafar as denúncias envolvendo o ministro do Trabalho.

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA


Pela segunda semana segunda, Carlos Lupi é alvo de denúncias das revistas semanais. No intervalo, com declarações desastradas, a situação dele apenas se complicou.

O POVO

domingo, 16 de outubro de 2011

Líderes da oposição pedem o afastamento de ministro

Líderes de oposição defenderam hoje o afastamento imediato do ministro do Esporte, Orlando Silva, e anunciaram que vão entrar com pedido de investigação na Procuradoria Geral da República (PGR), depois da denúncia de um suposto esquema de desvio de dinheiro do principal programa da pasta, o Segundo Tempo, beneficiando diretamente o ministro.


"O Ministério do Esporte está à frente das obras e preparativos para a Copa e as Olimpíadas e isso envolve a administração de bilhões de reais. O ministro não pode estar sob suspeição, acusado de montar esquemas de corrupção", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP). Em fevereiro, o PSDB já havia entrado com representação na PGR solicitando análise sobre convênios do programa. Os tucanos também vão pedir apuração pela Controladoria Geral da União (CGU) e Polícia Federal.


O líder do DEM, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) também reagiu. "O governo não deve ser ponte para beneficiar agentes públicos ou partidos. O PC do B, de acordo com o seu próprio militante, transformou o Ministério do Esporte em um espaço para arrecadar e fazer caixa dois de campanha. E quem se tornou o grande operador disso tudo foi o próprio Orlando Silva", afirmou ACM Neto.


O líder do PPS na Câmara e secretário-geral do partido, Rubens Bueno (PR), informou que o partido formalizará um pedido de investigação na procuradoria na segunda-feira à tarde. "As revelações são estarrecedoras, o que exige do Ministério Público rápida e aprofundada investigação de toda essa sujeira, que cobre de lama o governo Dilma", disse Bueno. O líder também vai pedir que o ex-ministro do Esporte e governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, também citado na reportagem da revista Veja como um dos beneficiários do suposto esquema de desvio de dinheiro, apresente explicações.

O líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar (RJ), defendeu rigor e cautela. Ele considera que Orlando Silva deve ser o maior interessado em explicar e provar que as declarações do ex-parceiro não tem fundamento. "O ministro também deve explicar por que, chantageado, como afirma, não tomou medida preventiva junto ao Ministério Público ou à polícia", disse.

Anúncio de processo.


O ministro afirmou que já pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a abertura de um inquérito na Polícia Federal (PF) e garantiu que irá processar por calúnia os denunciantes entrevistados pela revista Veja.

"Felizmente no Brasil existe lei e o ônus da prova é de quem acusa. E não há nenhuma prova. E não há hipótese de haver prova, porque não há realidade nisso (na denúncia). Desafio os personagens dessa trama farsesca a apresentar alguma prova."


Orlando Silva também relatou conversa com a presidente Dilma Rousseff. "Falei com a presidenta Dilma hoje. Fui procurá-la para informar que tive notícia da reportagem que estava sendo feito e mostrei a ela nossos controles, para transmitir segurança. Foi uma conversa muito direta. Estou em missão fora do meu país e ela pediu para que eu continuasse com a minha agenda."


O ministro dos Esportes, Orlando Silva, está na cidade de Guadalajara (México) acompanhando o primeiro dia dos Jogos pan-americanos.

Agência Estado